Matérias / Entrevistas

DROWNED
MOVIDOS PELAS GRAÇAS DO MAL

O quinteto, que vem estremecendo a cena metal mineira, coloca no mercado o CD By the Grace of Evil, visando o mercado internacional

Antonio Rodrigues Junior

Se opondo a todas as espécies de religião, o grupo Drowned, que vem sacudindo a cena metal extrema mineira, chega ao seu quarto lançamento, By the Grace of Evil, mostrando amadurecimento musical, mas mantendo a agressividade tradicional do conjunto. O disco é o primeiro com a formação atual, que é composta por Fernando Lima (vocal), Marcos Amorim e Kerley Ribeiro (guitarras), Rodrigo Nunes (baixo) e Beto Loureiro (bateria).

A banda, que varia seu som entre o death, o thrash e o heavy metal, surgiu para o grande público em 2001 com o lançamento de Bonegrinder e passou a ser considerada por muitos como a maior revelação mineira do estilo depois do Sepultura e Sarcófago. Depois vieram os bem sucedidos EP Back from Hell (2002) e Butchery Age (2003). Com By the Grace of Evil, o quinteto pretende atingir novos patamares, além de se lançar internacionalmente.

"É um disco com mais dinâmica que os anteriores", conta Marcos Amorim. "É mais pesado, menos rápido e mais bem composto. Considerando apenas a parte técnica, sem dúvida é nosso melhor CD. Não há um rótulo específico e, sem dúvida, metal é a melhor expressão. Não nos mantemos presos a nada e somos assim desde os nossos primórdios. Ele foi composto durante a tour do Butchery Age e algumas faixas foram feitas após a substituição do guitarrista. A gente está bem confiante quanto à aceitação por parte dos 'bangers'."

O álbum, que traz um ótimo trabalho gráfico de Fernando e uma ilustração do artista Marcus Ravelli, também marca a entrada do guitarrista Kerley Ribeiro, após a saída de Rafael Porto em julho do ano passado. O músico foi escolhido após responder a um anúncio feito pelo conjunto. O guitarrista realizou alguns testes e foi efetivado no cargo.

"O Rafael estava conosco desde 2000 e é um cara muito tranqüilo de se lidar. O que ocorre é que precisávamos de mais, em todos os sentidos. Como ele achou que não iria ser possível, optou por sair. Kerley foi o que se saiu melhor nos testes e o tempo tem mostrado que demos muita sorte! Quando ele entrou, a banda já tinha as dez canções do By the Grace of Evil prontas, só faltavam alguns solos e poucos arranjos para fechar. Ele contribuiu dessa forma no produto final. Acho que os solos dele têm mais complexidade que os do Rafael e, nesse sentido, ele acrescentou mais técnica à segunda guitarra."

Apesar de não se tratar de um álbum conceitual, a temática principal dele é a oposição a todas as espécies de religião e "suas formas de dominação e influência na vida das pessoas". Na visão do quinteto, a maldade é uma virtude nata do ser humano e somos regidos pelas graças do mal (By the Grace of Evil).

"O Drowned sempre trabalha um tema mais forte em cada disco. Não que nos prendamos somente a ele", alega o guitarrista. "Desta vez o escolhemos, dentre vários motivos, porque achamos muito interessante a atual conjuntura e como ela se relaciona e se modifica conforme o comportamento político e religioso das nações. Nossos álbuns sempre são críticos, mesmo que muitos não consigam abstrair, a gente trabalha muito isso."

O grupo vem conquistando espaço nos últimos anos e seus CDs, sendo muito elogiados. Inclusive com várias comparações aos seus conterrâneos mais famosos. "Não esperávamos concretizar tudo isso, mas sempre trabalhamos para ir adiante. Embora falta muita coisa para o Drowned ser uma banda relevante no metal nacional, acho que já chegamos bem longe."

A ótima repercussão de seus álbuns já lhes rendeu aberturas para grandes nomes do heavy metal mundial, como o Destruction (no ano passado) e, mais recentemente, o Sodom e Nuclear Assault. Apesar de considerarem como uma boa experiência, o conjunto deixa claro que não é o mar de rosas que muitos imaginam. "Nem tudo é beleza nesse tipo de evento. Afinal, o show é dos gringos e estamos de convidados. Não é ruim, mas não é farra como todo mundo pensa! Uma banda underground rala muito e o reconhecimento nem sempre vem. Às vezes, as pessoas vêem a gente tocando e acha que estamos apenas aproveitando. Outros pensam que somos ruins porque o som não é tão bom quanto dos estrangeiros, mas é a vida! O jeito é aproveitar as coisas boas e ganhar ainda mais conhecimento sobre o universo metálico."

O resultado de tudo isso foi uma boa projeção dentro do Brasil. Porém, o Drowned e a gravadora Cogumelo pretendem dar passos maiores e começam a se empenhar também na divulgação internacional do novo petardo. Ainda não há nada de concreto, mas o grupo espera atingir novos horizontes com By the Grace of Evil.

"Estamos trabalhando forte nesse sentido a partir do novo álbum. Esperamos fechar algo ainda neste CD. O mercado externo é vital para uma banda como a nossa. O mercado nacional não comporta e nem dá suporte para viver de música. Então ganhar novos continentes é muito importante para nós. Estamos batalhando para licenças e também tours lá fora. Estamos realmente empenhados nisso e vamos abraçar a causa com muita obstinação."

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