Matérias / Entrevistas

SIX FOOT HALO
UNIÃO DE CULTURAS E DE ESTILOS

A banda, que se apresentou em maio na versão paulista do festival Coca-Cola Vibezone, mostra seu novo trabalho pela primeira vez no Brasil

Paula Fabri

Após um 2004 tumultuado, com a saída de seu vocalista original, o Six Foot Halo vem com um monte de novidades, começando pela mudança de seu nome. A banda, que antigamente se chamava The Wil Seabrook Band, teve de arranjar um novo nome devido à saída de seu "frontman" Wil Seabrook, um novo vocal e retomar o caminho que estava seguindo antes das mudanças ocorrerem.

Composto pelos brasileiros Fabio Soarez (guitarra) e Fernando Raio (baixo), o israelense Erez Ginat (bateria) e o norte-americano Sam Jaffe (vocal), o conjunto passou em maio pelo Brasil para participar da edição paulista do Festival Coca-Cola Vibezone.

Misturando rock com estilos variados e sendo influenciado por jazz, funk e música brasileira, a banda está preparando o material que irá compor o sucessor de Inside, seu primeiro CD.

Nesta entrevista a Comando Rock, Fabio, Fernando e Erez contam um pouco sobre a história do conjunto, o álbum lançado e situações que apareceram com as recentes mudanças.

Comando Rock: Como e onde a banda foi formada?
Fabio Soarez: O conjunto existe há quase cinco anos. Ele foi formando quando Erez conheceu o Wil e juntos eles resolveram montar uma banda para tocar inicialmente as músicas do disco solo do Wil. Seis meses depois ele convidaram o Nando para tocar baixo. E há dois anos o guitarrista que tocava com eles deixou a banda e eles fizeram uma audição. Eu fui o último a fazer o teste e, no final, consegui entrar no grupo. Estou na banda há dois anos e o Jaffe entrou há alguns meses. Todos nós vivemos em Los Angeles, nos EUA.

Por que Wil deixou o grupo?
Fabio: Wil recebeu um convite para participar de um programa de televisão e acabou aceitando.

Como vocês enfrentaram essa situação e resolveram seguir em frente?
Fabio: O Jaffe já era um grande amigo nosso. A sua entrada na banda foi praticamente automática. Estávamos procurando uma pessoa que combinassem com o nosso estilo de composição.

Por que escolheram esse nome para a banda?
Fabio: A idéia do nome veio de uma brincadeira de um amigo nosso que tinha uma altura de 5 pés e 11 polegadas (quase 2 metros) que é a altura da maioria dos americanos. Um dia, numa conversa, ele falou para a gente que se ele tivesse uma auréola (halo), como as de anjo, na cabeça ele iria medir seis pés (foot). Então, juntamos tudo e saiu o nome SIX FOOT HALO.

Fale um pouco sobre o disco? Quando foi lançado, por quem...
Fabio: O primeiro disco do Six Foot Halo se chama Inside. Na ocasião do convite da Coca-Cola para participarmos do Vibezone 2005, estávamos trabalhando as músicas do álbum novo. O CD que foi lançado no Brasil ainda é o primeiro, com o Wil ainda nos vocais, que saiu em 2004 nos EUA pelo selo Right On Red. Esse trabalho pode ser encontrado aqui no Brasil em algumas lojas especializadas ou no próprio site brasileiro da banda. No momento, estamos negociando com gravadoras para lançar o segundo disco no Brasil até o final do ano.

Comente as faixas "Freight Train", "Inside" e "Feel".
Fabio: "Fell" foi a primeira música que compomos, no primeiro ensaio após eu ter entrado para a banda. E é um bom exemplo das nossas canções, mostrando que as letras são bem positivas. "Inside" veio da idéia de fazer uma música com um groove legal e bastante dançante. A faixa "Freight Train" fala sobre a experiência que passamos na adolescência, sobre aquele sentimento que temos quando nos apaixonamos pela primeira vez, que acontece novamente mais tarde na vida quando você menos esperava...que te pega como um trem de carga.

Como é o trabalho entre pessoas de culturas tão diferentes?
Fabio: Na verdade essa diferença é natural. A música é uma linguagem universal. Não pensamos em colocar nossos elementos culturais propositalmente nas músicas. Eles acontecem naturalmente representando o que somos.

Como surgiu a oportunidade de vocês se apresentarem na edição deste ano do Coca-Cola Vibezone?
Fabio: A Caiafa Produções, nosso representante no Brasil, trabalhou no mercado brasileiro mostrando o nosso trabalho para as grandes empresas de eventos culturais no País. O Vibezone foi o primeiro evento de grande porte que nos chamou para participar.

Falem um pouco sobre o TRAP, como Erez entrou nesse projeto? Do que se trata exatamente?
Erez: Conheci Eddie Tuduri, meu mentor e o cara que criou o TRAP, no The Los Angeles Music Academy onde eu estudei música. TRAP, The Rhythm Arts Projects, envolve trabalho com pessoas que possuem certas dificuldades desde Síndrome de Down, Autismo e Retardamento com a ajuda da bateria. Nós os ensinamos coisas simples como se comunicar, a diferença entre esquerda e direita, conceitos como em cima e em baixo etc... Eles aprendem e desenvolvem coordenação e se divertem ao mesmo tempo.

Além do Six Foot Halo, algum membro da banda possui projetos paralelos?
Fabio: Fiz parte do Airto Moreira Jam Band featuring Flora Purim durante todo o ano passado, tendo feito com eles turnês pela Europa. Estou assinado com uma produtora gospel, a Living Word Community Church, e tive a oportunidade de fazer uma participação especial no Grammy Latino. E, quando dá tempo, também faço gravações como músico de estúdio.
Fernando: Tenho um disco quase pronto de música instrumental, que é uma mistura de música brasileira e jazz e que conta com grandes nomes do jazz americano. Mas isso é surpresa!
Erez: Eu toco principalmente com o Six Foot Halo. Essa é a minha paixão e meu objetivo. Mas, como músico, tento crescer em todos os estilos e aspectos da música. Quando não estamos na estrada, estou sempre envolvido com projetos diferentes para preencher minhas necessidades musicais. Acredito que estar envolvido em no máximo de situações musicais que você pode é a melhor escola que você pode ter: seja jazz, funk, rock ou música brasileira. Dessa forma, quando volto ao Six Foot Halo, as coisas são novas e surgem um monte de idéias novas. Além do mais, é muito divertido.

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