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LIVE AID
O DIA EM QUE O ROCK 'N'ROLL DESAFIOU O MUNDO!

No mês passado, em uma nova versão, o festival, que gerou o Dia Mundial do Rock há 20 anos atrás, voltou a unir o mundo contra o sofrimento na África

Paula Fabri

O INÍCIO

Bob Geldof, após ter assistido uma reportagem de Michael Buerk sobre a crise apavorante da África, sentiu a necessidade de fazer alguma coisa que parasse esse sofrimento. Junto com Midge Ure (Ultravox) escreveu a música "Do They Know It`s Christmas", que foi gravada por Paul Young, Boy George (Culture Clube), George Michael, Simon LeBon (Duran Duran), Sting e Bono (U2), para angariar fundos e ajudar nessa crise. O single foi lançado no dia 7 de dezembro de 84 e arrecadou cerca de oito milhões de libras.

O FESTIVAL LIVE AID

Depois de verem a repercussão de sua idéia e o resultado alcançado pelo single, a dupla Geldof e Ure se reuniu novamente, mas para dessa vez planejar e montar o que viria a ser o maior festival da história. Com apenas dez semanas, tudo estava pronto para acontecer tendo grandes nomes escalados e os locais escolhidos. Foi então que no dia 13 de julho de 85, os estádios de Wembley, em Londres, e JFK, na Filadélfia, ficaram lotados, reunindo música com solidariedade, da melhor forma possível. Foi por conta do festival Live Aid, há 20 anos atrás, que a data acabou sendo decretada como o DIA MUNDIAL DO ROCK!

As apresentações tiveram início ao meio dia em Londres, tendo o Statous Quo iniciado o evento.
O dia ficou na história e muita gente acabou indo junto, esse foi o caso do ex- integrante do Gênesis, Phil Collins. Ele foi o único artista a apresentar na edição inglesa e americana do Live Aid. O músico tocou duas músicas e fez dueto com Sting, no estádio de Wembley. Em seguida, viajou para Filadélfia de Concorde e tocou novamente as mesmas canções.

Em sua totalidade, foram mais de 16 horas de música, nas quais mais de 60 artistas se uniram e se apresentaram. Confira abaixo, a lista de artistas e bandas que fizeram história no dia 13 de julho de 85, na ordem em que tocaram no festival:

Show em Wembley, Londres
Status Quo
Style Council
Boomtown Rats
Adam Ant
Ultravox
Spandau Ballet
Elvis Costello
Nik Kershaw
Sade
Sting
Phil Collins (e Sting)
Howard Jones
Bryan Ferry
Paul Young (e Alison Moyet)
U2
Dire Straits (e Sting)
Queen
David Bowie
The Who
Elton John (com Kiki Dee e Wham)
Freddie Mercury e Brian May
Paul McCartney
Show no JFK, Filadélfia
Bernard Watson
Joan Baez
The Hooters
The Four Tops
Billy Ocean
Black Sabbath
Run DMC
Rick Springfield
REO Speedwagon
Crosby, Stills e Nash
Judas Priest
Bryan Adams
Beach Boys
George Thorogood & the Destroyers (com Bo Diddley & Albert Collins)
Simple Minds
The Pretenders
Santana (e Pat Metheny)
Ashford & Simpson e Teddy Pendergrass
Madonna
Tom Petty
Kenny Loggins
The Cars
Neil Young
Power Station
Thompson Twins (e Madonna)
Eric Clapton
Phil Collins
Robert Plant, Jimmy Page & John Paul Jones
Duran Duran
Patti LaBelle
Hall & Oates (com Eddie Kendricks & David Ruffin)
Mick Jagger (e Tina Turner)
Bob Dylan, Keith Richards e Ron W

O LIVE 8

O Que É?
Live 8 é como foi denominada a edição desse ano do festival Live Aid, que aconteceu pela primeira vez há 20 anos atrás (mais precisamente no dia 13 de julho de 85), nas cidades de Londres e Filadélfia.

Criado pela parceria de Bob Geldof (Boomtown Rats) e Midge Ure (Ultravox), após terem visto os resultados alcançados pelo single natalino "Do They Now It's Christmas". A música foi gravada em 84 pela Band Aid (que foi composta por Paul Young, Boy George do Culture Clube, George Michael, Simon LeBon do Duran Duran, Sting e Bono do U2) para ajudar a melhorar a situação dos países africanos.

O Live 8 foi apenas uma das ações em um dia cheio de eventos que iniciam a "Grande Caminhada Para a Justiça". A meta era intimar os responsáveis pelos países que formam o grupo G8 - os sete países mais ricos do mundo acrescido da Rússia - a darem mais auxilio, serem justos e liquidar a dívida de países pobres.

Quando e Como?
A edição desse ano do mega-festival, que comemorou os 20 anos do primeiro Live Aid, aconteceu no primeiro sábado do mês de julho, no dia 2. Onde mais de 180 artistas e pessoas envolvidas nesse projeto, que se apresentaram e falaram um pouco sobre o objetivo dos shows, foram transmitidos para o mundo inteiro.

Como foi o caso do mega-empresário, dono da Microsoft, Bill Gates. A maioria da população mundial o conhece como o homem mais rico do mundo, mas não sabe que ele também é um filantropo. O empresário mantém (com sua esposa) uma entidade que visa ajudar outras a se manterem e alcançarem seus objetivos.

"Algum dia no futuro, todas as pessoas no mundo estarão em condições de levar uma vida saudável", disse Gates, durante sua aparição na versão londrina do Live 8, em meio a gritos de aclamação da multidão. Outra pessoa que também causou furor quando se expressou no evento foi o rapper e ator Will Smith, que levou ao palco (na Filadélfia) a Declaração de Independência dos Estados Unidos, pedindo pela independência africana.

Por Quê?
Mesmo após 20 anos da primeira manifestação do mundo da música para ajudar a África, mesmo como os recursos arrecadados naquela época, as coisas não mudaram muito, para não dizer que piorarão com o grande aumento da população, o alastramento da AIDS e outras doenças.

Onde?
Como palco dessa mega-produção foram escolhidas oito cidades que correspondem aos membros do G8 - Londres (Inglaterra), Paris (França), Berlin (Alemanha), Roma (Itália), Filadélfia (Estados Unidos), Barrie (Canadá), Tóquio (Japão) e Moscow (Rússia) - e Johannesburgo, na África do Sul. Afinal, ela faz parte do maior interessado de que as conversações do grupo sejam positivas quanto à ajuda necessitada.

Resumo de Cada Cidade

Hyde Park, Londres
Público: 200 mil pessoas
Foi onde o evento teve inicio, em 85. Este ano, Paul McCartney se uniu ao grupo U2, que se apresentaram com as roupas usadas na capa do álbum Stg. Pepper's Lonely Hearts Club Band e tocaram a clássica a faixa-título deste trabalho. A versão londrina teve ainda apresentações do organizador do festival Bob Geldof, Coldplay, que dividiu o palco com Richard Ashcroft (ex-vocal do The Verve), Elton John junto com Pete Doherty, REM, a reunião do Pink Floyd, Madonna e Sting.

Palácio de Versalhes, Paris
Público: 40 mil pessoas
Em um dos mais importantes símbolos da capital francesa, uma das melhores apresentações foi quando a cantora Dido dividiu o palco com Youssou N`Dour e cataram um dos maiores sucessos de N`Dour, "Seven Seconds". Também se apresentaram The Cure, Placebo, Shakira, Sheryl Crow e Muse.

Siegessäule, Berlin
Público: 150 mil pessoas
Na versão alemã do evento, o Green Day foi a atração que mais moveu a platéia, cantando músicas de seu novo disco e terminando com o clássico do Queen, "We Are the Champions". O dia ainda teve shows do Audislave, Brian Wilson, Faithless, entre outros.

Circus Maximus, Roma
Público: 700 mil pessoas
Duran Duran, que participou do Live Aid há 20 anos atrás, tocou em Roma mostrando seus antigos sucessos. A banda também dividiu o placo com as atrações country Faith Hill, Tim McGraw e a italiana Laura Pausini.

Museu de Arte, Filadélfia
Público: 1 milhão de pessoas
Na "escala" americana do festival, os estilos musicais se alternaram, tendo desde R&B até rock pesado com shows de Alicia Keys e Steve Wonder. O Black Eyed Peãs teve um dos momentos mais memoráveis, quando chamou ao palco a viúva de Bob Marley e um de seus filhos, Steve Marley para cantar "Get Up Stand Up". Também se apresentaram Bon Jovi, Dave Matthews Band, Destiny's Child, Linkin Park, Maroon 5, Def Leppard e Jay-Z.

Park Place, Barrie
Público: 35 mil pessoas
No Canadá houveram três apresentações de pérolas da casa como o Barenaked Ladies, Bryan Adams e Simple Plan e também performances de Deep Purple, DMC, Jet e Mötley Crüe.

Centro de Convenções Makuhari Messe, Tóquio
Público: 10 mil pessoas
Do outro lado do mundo, o público pode assistir apresentação da islandesa Björk e das bandas Dreams Come True, McFly e Good Charlotte.

Praça Vermelha, Moscou
Público: 20 mil pessoas
Na capital da Rússia, o Pet Shop Boys se apresentou juntamente com as atrações Ágata Kristy, Linda e Moral Code X.

Praça Mary Fiztgerald, Johannesburgo
Público: 20 mil pessoas
Na África do Sul, que entrou no circuito do Live 8 em cima da hora, após inúmeras reclamações por não haver versão africana do evento, teve apresentações de atrações de renomes na região como Ayub Ogada, Modou Diouf & O Fogum, Thomas Mapfumo, Tinariwen e Salif Keita.

No dia foi calculado um público total de mais de 2 milhões de pessoas, sem contar com as estimativas das pessoas que assistiram pela televisão e Internet.

Resultados
Bono e Bob Geldof se reuniram com os membros do G8, onde pediram mais ajuda e o perdão da divida dos países. Após o resultado dessa reunião ter sido divulgado, os dois disseram ter ficado satisfeitos. O acordo foi que será dobrada até 2010 a ajuda que é dada aos países pobres, sendo acrescido 50 bilhões de dólares por ano.

Outro resultado obtido com a repercussão dos shows, que aconteceram no início de julho, foi o aumento nas vendas de álbuns de nomes que se apresentam. Entre os artistas que subiram nas listas de mais vendidos estão The Who, Annie Lennox, Dido, entre outros. Mas o mais espantoso de todos, foi o crescimento astronômico que as vendas da coletânea do Pink Floyd, Echos, teve. A banda, que se reuniu pela primeira vez em 20 anos, teve um aumento de 1.343% sobre as vendas de sua coletânea na Inglaterra, comparando com o domingo anterior (26/06).

Já nos Estados Unidos, foram poucos os nomes que tiveram suas vendas alavancadas, mesmo assim, o Pink Floyd apareceu novamente, mas dessa vez com o clássico disco The Dark Side of the Moon. O álbum passou da décima posição para a terceira, no Top Pop Catalog, da Billboard, um total de 26 por cento. Contagiados com o espírito do Live 8, os integrantes do conjunto resolveram fazer uma enorme boa ação, doando todo o lucro que tiveram com essas vendas.

Como já visto, o Live 8 entrou para a história por inúmeros motivos. Um dos mais falados até agora é a versão de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", que Paul McCartney fez juntamente com o U2. Ela entrou para o Guiness como a música mais baixada na Internet. O que torna esse fato mais curioso é que essa foi a primeira vez que um ex-integrante dos Beatles tocou a canção desde 67.

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