Matérias / Entrevistas

TORTURE SQUAD, STOMACHALCORROSION E REVOLT
PROVAM A UNIÃO DO UNDERGROUND

(Cambuí/MG, 15/01)

Charlie F. Curcio

Torture SquadEstava tudo programado para começar às 16h de domingo, mas um atraso para a chegada do equipamento de som, devido a uma imperdoável falta de comunicação por parte das pessoas responsáveis por esta parte do evento, fez com que o cronograma e horário do show fossem mudados por completo. A ordem inicial seria Revolt, Stomachalcorrosion e Torture Squad. Devido a este atraso, a banda de abertura foi a Torture Squad, mostrando um de seus melhores shows, com muita garra e uma performance de palco bem movimentada.

Neste show houve um fato inédito para a banda: tocou uma música ainda inédita, que será gravada no próximo CD. Outro detalhe desta apresentação foi que o baterista Amílcar Christófaro tocou sem os costumeiros "triggers", mesmo assim demonstrando total segurança, rapidez e técnica, com isso calando de vez a boca dos críticos de plantão que se perdem em afirmar que bateristas de música extrema não conseguem o mesmo resultado sem os "triggers". O Torture apresentou canções de todos os álbuns, fechando com "The Unholy Speel", fazendo com que o público presente (que soube com paciência e inteligência esperar pelo maior show de música da história desta cidade) fosse à loucura.

Depois foi a vez do Revolt, originário da cidade de Pouso Alegre (MG). Mostrou um set meio tenso, devido aos imprevistos com o atraso do equipamento de som. Mas, mesmo assim, mostrou um som coeso e potente. Destaque para os vocais de Thiago de Lourenzo, guturais e precisos. Revolt é uma banda que precisa lançar urgentemente algum material para nos brindar com sua música forte e sem firulas, um thrash metal sujo e raivoso como o estilo deve ser.

StomachalcorrosionFechando a noite veio o Stomachalcorrosion, que comemora neste ano seus 15 de história, com o compromisso de segurar e levantar o já reduzido público presente. O conjunto mostrou músicas de seus dois splits CDs e de seu próximo lançamento ainda sem previsão e gravadora. Foi um show também um pouco tenso, pois já estavam todos cansados, uma vez que o pessoal da banda é que foi responsável pelo evento. A apresentação em si foi repleta de total grindeath coremetal, com total equilíbrio entre os instrumentistas, demonstrando que a banda evolui a cada apresentação.

Falando agora um pouco da produção de todo o show, nunca Cambuí teve uma estrutura como a apresentada naquele domingo. Com loja de camisetas (mais de 500 à venda), ateliê de tatuagens, stands das bandas envolvidas e, no bar, preços bem abaixo aos praticados em muitos eventos similares. Nunca Cambuí se viu tão tomada de figuras do meio underground, seja a vertente que for. Fica aqui o agradecimento às pessoas que, com sapiência, souberam entender o que se passava ali. Assim como a desculpas da organização pelo triste fato de muitas outras pessoas não terem podido assistir aos shows. E fica a lição para que se dêem cada vez mais atenção e valor aos eventos undergrounds no Brasil.

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