Matérias / Entrevistas

CIRCLE II CIRCLE
ZAK STEVENS RECORDA OS BONS TEMPOS DO SAVATAGE

(Hangar 110, São Paulo, 12/02/2011)

Marcos Franke

Na noite de sábado no Hangar 110, Zak Stevens brindou os fãs com muita energia, carisma e uma grata surpresa. Em sua segunda passagem por São Paulo, o ex-frontman do Savatage veio acompanhado de Paul "Mitch" Stewart (baixo), Rollie Feldman (guitarra) e Jhonny Osborne (bateria) e se mostrou muito disposto e inspirado. O Hangar 110 ultimamente tem aprimorado muito sua infra-estrutura para receber shows internacionais com um conforto maior. Ar condicionado é um dos benefícios que a casa agora possui.

Passava já das 22h quando Zak e seus companheiros subiram ao palco para fazer a introdução da segunda apresentação da turnê brasileira deste ano. Logo começaram com a agitada "Consequence of Power" (do último álbum lançado e de mesmo nome) e continuaram com "Symptons of Fate" e da marcante "Take Back Yesterday" todas do recente petardo. Após a seqüência inicial e para delírio de todos os "órfãos" do Savatage presentes, a banda tocou a magnífica "Edge of Thorns" que incendiou a casa literalmente.

O público cantou o clássico com muita energia e emoção, mostrando todo o respeito para com a lendária banda de Jon Oliva. "Out of Nowhere" (mais uma do Consequence of Power) com seu refrão marcante e a remanescente da última turnê no País, "Soul Breaker" (do disco Delusions Of Grandeur, de 2008) deram sequência ao show que se tornava cada vez melhor.

Aos gritos de "do c..." - palavreado que Zak aprendeu em sua última passagem pelo Brasil e que ele adotou como forma de demonstrar o quanto os fãs tupiniquins são importantes para o Circle II Circle - o grupo executou mais um clássico do Savatage e desta vez foi a poderosa "Taunting Cobras" (do álbum Handful of Pain). Naturalmente o publico retribuiu novamente pela execução de mais uma excelente música, cantando e agitando o tempo todo. Mas a agitação não veio só da platéia: no palco Mitch se mexeu o tempo todo, fazendo os backing vocals e interagindo com a galera. Rollie não ficou atrás e demonstrou estar encantado com a energia dos presentes, assim como Jhonny, que pareceu cada vez mais sentir a empolgação da platéia, demonstrando isso ao tocar com mais intensidade.

Zak Stevens, em paralelo a isso, demonstrou porque é um frontman tão querido, conversou com o público, agradeceu pela presença, gritou "do c..." várias vezes e, tudo isso, regado a muita cerveja gelada, pois o calor dentro do local estava bem intenso. Em determinado momento Paul demonstrou estar com muito calor, mas isso não impediu que ele e Zak fizessem um brinde aos fãs com um gole de cuba libre.

Continuando o set-list, vieram "Anathema" e "Episodes of Mania" (ambas do Consequence of Power que, por sinal é um excelente álbum, com uma pegada de heavy metal, mas que mantém a característica principal da banda, o progressivo) e a bela canção "Watching in Silence". A sequência final fez parte do pacote de surpresas anunciado por Zak - que foi divulgado amplamente em todos veículos de imprensa - para os shows do Brasil. Nada menos que quatro músicas do Savatage foram executadas para saciar de vez todos os fãs da banda com a ajuda da banda Souspell: "Conversation Piece" com sua forte batida, "He Carves His Stone" que tem a voz marcante, "Lights Out" com sua furiosa guitarra (todas do excelente Edge of Thorns) e a belíssima "Anymore" (do disco de 96, Wake of Magellan) que deu o tom de despedida ao show.

A banda se despediu do público com a já tradicional reverência aos fãs, distribuiu palhetas e baquetas e deixou o palco. Seria o fim daquela noite majestosa? Ainda não. Jhonny retornou ao palco munido de um novo par de baquetas e fez um solo majestoso, demonstrando muita técnica. Já no fim do solo, Zak retornou ao palco e, com um par de baquetas na mão, foi "ajudar" Jhonny. Mas, de repente, Zak assumiu total controle da bateria e, nesse meio tempo, Mitch e Rollie retornaram ao palco e com essa formação tocaram a clássica "T.N.T" (do AC/DC) com o Mitch nos vocais. Essa sim foi uma despedida digna do Circle II Circle, confirmando que a banda estava em uma noite inspirada.

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