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JOURNEY
VALEU À PENA ESPERAR PELA VINDA AO BRASIL

(Via Funchal, São Paulo, 30/03/2011)

Marcos Franke

O interessante da primeira apresentação do Journey em nosso País foi a grande expectativa que se tinha do desempenho e apresentação do grupo. O que ninguém esperou foi a grata surpresa da banda de abertura: o conjunto dos anos 70 The Sweet foi encarregado de aquecer o público naquela noite. O interessante é que dois dos integrantes originais Brian Connolly (vocais) e Mick Tucker (bateria) já faleceram e que existem duas versões da banda fazendo turnês. Uma é chamada Andy Scott's Sweet e a outra chama-se Steve Priest's Sweet. A versão que tivemos aqui foi a de Steve Priest com ele mesmo no baixo, Joe Retta nos vocais, Stuart Smith nas guitarras, Stevie Stewart nos teclados e Richie Onori nas baquetas.

Com a aparência cansada e envelhecida, o baixista apresentou os sucessos do The Sweet que tanto agitou nos anos 70. Com um visual glam rock, isto é, batom, brilhantina e roupas chamativas, os senhores de 70 anos fizeram o Via Funchal agitar. Apesar do público claramente desconhecer a maioria das músicas, os fãs agitaram muito ao som de "Ballroom Blitz" e "Love Is Like Oxygen". Mesmo coma duração de meia hora, tive a impressão de que para a banda e seus integrantes foi um tempo que não passava, tanto cansaço se via nos rostos dos músicos, exceto do vocal que é bem mais jovem do que o restante da formação.

Finalmente era a vez da apresentação da maior banda de arena rock do mundo, o Journey. Luzes se apagavam e histeria tomava conta do público com as primeiras notas de "Separate Ways". Arnel Pineda, o vocalista da formação atual, entrou agitando muito. É incrível como a jovialidade do vocalista e sua movimentação equivale para todos os outros integrantes. Neal Schon e sua guitarra azul mais uma vez solavam cada nota levando o público a loucura. Deen Castronovo e sua sempre competente habilidade com as baquetas demonstrava experiência e técnica ao mesmo tempo. Completava a cozinha Ross Valory no baixo e Jonathan Cain nos teclados que, muitas vezes, o abandonava para pegar uma guitarra.

O set-list continuou muito agitado com "Edge of the Moment" (do novo álbum Eclipse, a ser lançado em maio). Em "Only the Young", Pineda tirou o casaco e mostrou sua paixão pelo nosso País com uma camiseta verde com "Brazil" escrito em cima. Atitude inesperada pelo público que foi a loucura. Quem duvidava da performance de Pineda nos vocais ficou boquiaberto com "Ask the Lonely" - uma das músicas mais difíceis de serem cantadas.

Que chamou a minha atenção foi a vontade de Pineda em interagir com o público o tempo todo. Não tinha um momento em que o carismático vocalista não chamava os presentes para baterem palmas. Pulava feito David Lee Roth ou corria de um lado para o outro para motivar as pessoas.

A banda continuou com "Never Walk Away" e "Send Her My Love" para depois apresentar mais uma música do novo disco, "Resonate Play". Ao apresentar "Stone in Love", um dos grandes clássicos do álbum Escape, o conjunto viu o público mais uma vez ir ao delírio cantando junto cada palavra, surpreendendo e muito os integrantes do Journey. O set-list continuou com "Keep on Runnin" e mais uma do CD novo, "City of Hope". Uma grande surpresa foi ouvir "Lights" (de Infinity). Luzes fortes iluminavam a banda e o público no refrão. "Open Arms", mais uma balada de Escape, e "Chain of Love", do álbum a ser lançado em maio, demonstraram o grande desempenho vocal de Deen Castronovo no momento de intervalo de Pineda.

O repertório do show continuou com "Mother,Father", "Escape" e "Wheel in the Sky" - acredito este ser o ápice do show - e "Human Feel (Rise Up)", com direito a solo de Neil Schon. Ross Valory também teve momento de solo em "Be Good to Yourself". A balada "Faith Fully" foi cantada em uníssono pelo público e quase não se compreendia os vocais de Pineda. Sim, faltava a cereja do bolo e "Don't Stop Believing" era o nome dela - mais uma música que foi cantada em uníssono pelos fãs. A banda ainda retornou para tocar "Anyway You Want It" e "Lovin', Touchin', Squeezin'", completando assim um show que atingiu todas as expectativas do público presente.

Apesar da demora de vir ao Brasil, a banda parece que não envelheceu. Ao contrário do grupo de abertura, o Journey se mostrou uma banda que tem muito para queimar ainda e, se depender do vocal Arnel Pineda, nós agitaremos os clássicos com o Journey o mais breve possível.

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