Matérias / Entrevistas

DEFTONES & CYPRESS HILL
FAZEM A UNIÃO PERFEITA DE METAL E RAP

(Credicard Hall, São Paulo, 04/04/2011)

Júlio Magalhães

Quem se dispôs a sair de casa na madrugada dessa segunda-feira para ver a dobradinha Deftones e Cypress Hill teve a chance de testemunhar o retorno de duas bandas que conseguiram dois feitos raros no mundo da música: conciliar aprovação popular com respeito da crítica, mesmo vindo de gêneros considerados "menores" (respectivamente o dito new metal e gangsta rap) e se manter criativamente relevantes através de carreiras que já passaram dos 20 anos.

Após um intervalo de cerca de meia hora depois do show de abertura do grupo paulista Minnuit, vieram os apologistas da maconha número um do rap, que entraram com os rappers B-Real e Sen Dog convocando o público a pular durante a agitada "Get' Em Up". A ela se seguiu uma enxurrada de hits como "How I Could Just Kill a Man", "I Wanna Get High" e "Insane In The Brain", e um curioso bloco cantado em espanhol, com "Armada Latina", "Latin Lingo" e "Tequila Sunrise".

Tudo recebido entusiasticamente pelos fãs através da nuvem de fumaça que tomava a pista vip. Não que eles tenham sido os únicos: lá pelo meio da coisa toda B-Real tirou do bolso um baseado enorme e deu suas tragadas, para delírio do público. O show terminou com um agrado à maioria roqueira presente, através das pesadas "Rise Up" e "Rockstar".

Na sua visita anterior ao Brasil, tocando no Festival Maquinaria, os Deftones não tiveram muita sorte: prejudicados por problemas de som e uma péssima escalação no line up, acabaram não rendendo tudo que poderiam. Desta vez, na posição de headliners e contando com uma excelente qualidade no som, era clara a vontade da trupe californiana de se redimir perante os fãs.

Começando com a faixa título do ótimo último CD Diamond Eyes, eles apresentaram uma seleção em ordem cronológica do material de seus seis álbuns, enfatizando os sucessos do clássico White Pony, como "Passenger", "Change" e "Back to School", com que terminaram a primeira parte da apresentação. Após uma pequena pausa, voltaram para o bis, terminando com o primeiro single da carreira da banda "7 Words".

O destaque foi claramente o vocalista Chino Moreno, cantando otimamente, sorridente do começo ao fim do show, falando com a platéia o tempo todo e abraçando as fãs. Seu único tropeço foi, digamos, literal. Após terminar uma das músicas, Moreno escorregou em um dos monitores e se estatelou no chão do palco. Mas, mesmo esse problema foi encarado na brincadeira com o "maligno" equipamento sendo agredido e ofendido pelo simpático vocalista, que terminou dizendo ironicamente "Foi ele que começou, não eu. Vocês viram...".

Enfim, duas excelentes apresentações que provam que a longevidade no rock não vai terminar quando os Rolling Stones finalmente se aposentarem e que, ao contrário das diversas opiniões divergentes, os anos 90 já tem seu lugar garantido na história do gênero.

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