Matérias / Entrevistas

THE AGONIST
PROVA QUE VAI ALÉM DE ALISSA WHITE-GLUZ

(Carioca Club, São Paulo, 12/06/2011)

Marcos Franke

The Agonist: qual a primeira coisa que vem a cabeça de provavelmente 99% das pessoas? Alissa White-Gluz. Acredito que a abordagem e inspiração "Arch Enemyesca" que ela possui, inclusive inspirado e muito no visual rebelde e cheia de couro de Angela Gossow, seja o motivo pela qual quase a totalidade das pessoas se interessaram pela banda. E qual o problema de uma linda mulher cantar muito bem e estar à frente de um grupo de metal extremo? O problema está quando esse talento e qualidade são colocados em questionamento. Ainda mais se você aliar o fato do conjunto ser pejorativamente cunhado de "metal de moleque".

Porém, agora todos poderiam tirar a limpo a qualidade da banda numa apresentação ao vivo. Público mínimo, que não chegava a preencher metade da pista, onde boa parte realmente era formada por bangers mais jovens. E, exatamente às 20h, todos ali começaram a ouvir a intro mecânica de "Swan Lake".
Ao seu final, Simon McKay apareceu atrás da bateria e puxou um groove, enquanto o baixista Chris Kells se dirigiu a frente do palco. Mais alguns segundos e pudemos ver Danny Marino e Pascal "Paco" Jobin, os responsáveis pelas seis cordas, num nítido momento "improviso passagem de som". Feito, vamos ao show!

"The Tempest" começou a pancadaria e enfim pudemos ver Alissa no palco. E, para surpresa de todos, ela canta tudo aquilo! Tanto no gutural quanto no limpo. Pude ver várias pessoas olhando com expressão de surpresa. Ao final dessa música acredito que o Agonist já havia ganho o respeito de todos que ali estavam.

"Rise and Fall" manteve todas as boas impressões e preparou terreno para "...and Their Eulogies Sang me to Sleep", "Serendipity" e "Martyr Art". A próxima seria o momento do Carioca Club tremer: "Thank You Pain", a mais famosa da banda. "When the Bough Breaks", "Birds Elope with the Sun", "Globus Hystericus": o grupo mantinha o pique incrível e o público respondia da mesma forma.

"Born Dead Buried Alive", "Forget Tomorrow" vieram na sequência e Alissa tomou a frente para falar com o público. Pediu que todos se dividissem em duas partes, deixando um vão entre elas. E, ao início de "Lonely Solipsis", ambas as partes se "atacaram". "Business Suits and Combat Boots" foi a escolhida para fechar o show, exatos 70 minutos depois de seu início.

O que ficou nítido para quem assistiu a esse show é que a banda, definitivamente, não se resume a Alissa. A dupla de guitarristas é coesa e sabe muito bem o que faz, tanto no que diz respeito a música como em presença de palco. Danny esteve um pouco contido na primeira metade do show, mas depois se soltou e interagiu mais. Chris Kells é um furacão, não para quieto um momento sequer. Simon é preciso e firme em sua condução, proporcionando a segurança que a linha de frente precisa para ser um tsunami.

Já Alissa é realmente surpreendente. Maravilhosa, isso é inegável. Mas com talento nítido também. Canta muito, sabe segurar o público, bastante comunicativa, mas sem ser carismática. Surpreendeu positivamente a todos. E com esse pacote fica nítido que o The Agonist, apesar da pouca estrada, sabe o que faz em cima de um palco. Um grande show. Positivamente surpreendente.

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