Matérias / Entrevistas

RAGE
MESMO COM PEAVY DOENTE, GRUPO FAZ GRANDE SHOW

(Carioca Club, São Paulo, 19/06/2011)

Marcos Franke

Apesar da grande expectativa do show do Rage, logo na entrada do Carioca Club tive uma surpresa. Meus colegas de imprensa logo avisaram que Peavy estava meio doente e não estava se sentindo bem - tanto que desistiu de alguns compromissos com a imprensa para se poupar para o show. Ali, percebi que teríamos uma performance muito inferior a última vez que o Rage veio ao Brasil no Live and Louder Festival.

O show iniciou às 20h com o trio tocando "The Edge of Darkness", do último CD Strings to a Web (2010), seguida de "Soundchaser", do álbum homônimo (2003), "Hunter and Prey" e "Into the Light" - também do mais novo album - e "Drop Dead", do Carved in Stone (2003).

Impressionante como as primeiras músicas do Rage me mostraram o contrário do que meus colegas de imprensa haviam dito. A banda estava numa sintonia incrível e o álbum novo, Strings to a Web, é simplesmente fenomenal. "Empty Hollow" é um grande som do início ao fim. A experiência em tocar ao vivo pode ser muito bem percebida, pois Peavy não parecia indisposto. Muito pelo contrário, tocou muito com o guitarrista de quatro mãos Victor Smolski.

A banda continuou o set seguindo pelo solo do integrante mais novo André Hilgers, que mandou bem nas baquetas. O fã, na verdade, não pareceu realmente sentir falta de Mike Terrana. Após o solo grandioso de André Hilgers, o conjunto voltou para entoar um de seus clássicos: "Set this World On Fire", do Unity (2002), logo emendando na grandiosa "War of Worlds", seguindo de mais um solo, dessa vez do guitarrista Victor Smolski.

A técnica do guitarrista é simplesmente única e o público foi ao delírio. Com Peavy e Victor novamente no palco, mandaram "Carved in Stone", "Solitary Man", "Black in Mind" e "Down do Unity". O que às vezes soa estranho são os músicos prometendo que irão gravar um disco ao vivo no Brasil. No final, Peavy elogiou o público brasileiro e disse que o próximo DVD da banda será gravado no Brasil. Eu acho que falar isto já virou clichê. Peavy sem perder tempo puxou o refrão de "Higher Than the Sky", do clássico End of all Days (96), onde o público correspondeu com grande energia. Ali começava o fim do show.

Foi muito bem tocada com a voz de Peavy intacta pois o público cantou a música quase sozinho. Pelo jeito todos esperavam a hora do bis: André sentou na bateria e começou a tocar "Painkiller" (Judas Priest). A galera retribui com gritos de euforia, mas preferiu mudar para "We're not Gonna Take it" (Twisted Sisters), igualmente bem recebida. Mas a música que iria finalizar a apresentação em São Paulo acabou sendo "Highway to Hell" (AC/DC).

Um show muito bom com um setlist bem escolhido e com objetivo claro de divulgar o novo disco. Porém, em comparação ao setlist da Grécia onde teve praticamente as mesmas músicas na mesma seqüência, eles tiveram mais duas músicas: "Straight To Hell" e "Don't Fear The Winter". Esta segunda canção foi pedida por todos em uníssono e claramente ignorada por Peavy. Reclamações à parte, um grande show. Vamos ver se a banda demora menos para retornar ao nosso País.

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